Recados e Novidades

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Para troca de livros:

Projeto Palavras Cruzadas:

"Já é vender a alma não saber contentá-la." Albert Camus - O Mito de Sísifo.

O projeto 'Palavras Cruzadas' promove encontros mensais (segundo sábado de cada mês) em que são lidos e discutidos trechos de obras importantes da literatura e filosofia surgidas à partir do século XX.

No encontro do dia 13/07 o livro utilizado será 'O Mito de Sísifo' de Albert Camus.

O evento começa às 15h30min.

A coordenação é de Vanessa Molnar, historiadora (USP) e escritora e Fábio Donaire, estudante do Bacharelado em Ciências e Humanidades (UFABC). Estamos localizados na Rua Professor José Franco, 166 – Bangu (a 10min da UFABC de Santo André, na rua do restaurante Frangasso).

A entrada é franca.


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Bom o blog ainda não faz dois meses que se tornou público, porém os resultados estão muito acima do que imaginei e desejo a todos os amigos, parceiros e visitantes um 2010 cheio de realizações.

Neste ano não irei publicar mais, estarei numa merecida férias nas montanhas, odeio praia nesta época do ano, mas o legal da internet é que mesmo não estando, estamos on-line.

No ano de 2010, vamos dar inicio a nossa oficina literária no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=97280244), e logo de cara vamos inaugurar o 1º número de nossa revista (Agradecimentos especiais para a Maga Macaca, Lilly e o George Pacheco), que entraram no espírito.

E no mais feliz 2010!


Haiti

Conforme eu disse ontem, aqui vai o conto que criei encima do mote sugerido, o interessante que acabou virando um drama, coisa que escrevo pouco.



Desde 2004 o Haiti havia sofrido um golpe de estado, então a OEA (Organização dos Estados Americanos); resolveu intervir; e para surpresa de muitos, o Brasil, iria liderar esta intervenção.

Fabiano ingressou no exército no segundo semestre de 2003, um típico cidadão de classe média, branco e forte; nem imaginava em participar de algum exercício real, o objetivo era se tornar general e aposentar sem grandes problemas, mas naquele momento estava embarcando no porto do Rio de Janeiro, numa missão de “estabilização” do Haiti, uma resolução da ONU.

Após uma semana finalmente chegou ao Haiti, de belas praias, mas de um povo extremamente miserável, os guetos lembravam as favelas cariocas e paulistanas, no meio da viagem, Fabiano, fez amizade com Samuel, um afrodescedente, que não teve muita opção na escolha da profissão, o exercito foi o mais viável.

O serviço no Haiti era de dois anos, com um mês de férias, depois o soldado poderia voltar para o Brasil e Fabiano já estava terminando seu serviço junto com o seu amigo Samuel e no meio do ano de 2006, escreveu uma carta para a mãe, seu pai já havia falecido uns anos antes:

Querida Mamãe!

Enfim estarei retornando para o Brasil, ainda neste fim de mês, a saudade é muito grande, porém tenho que lhe pedir um gesto de humanidade, um pouco incomum.

Lembra-se do meu amigo Samuel, aquele que passou a férias junto comigo ai no Brasil?

Ele sofreu uma emboscada num dos guetos de Porto Príncipe, bem no ultimo mês de serviço, ele perdeu as duas pernas.

Samuel é como um irmão para mim, ele me tirou de várias encrencas, e não tem família e não tem ninguém, gostaria de pedir que deixasse ele morar conosco, como se fosse um parente nosso.

Dona Rute, ficou preocupada, como poderia atender ao pedido do filho? Ainda mais sabendo que ele estava a dois anos num estresse de guerra.

Ficou sem dormir nos quinze dias seguintes a chegada deles, pensava em dissuadir o filho daquela idéia, era loucura, como cuidar de um desconhecido sem pernas?

Ao mesmo tempo pensava que aquilo poderia ter acontecido ao seu filho, num ultimo lampejo de dúvidas e compaixão, resolveu atender ao pedido do filho, quem sabe ele não desistiria ou o próprio Samuel não se sinta bem e resolva por si só ir embora?

Ela viu seu filho descendo do navio, empurrando uma cadeira de rodas, onde Samuel estava, ambos se abraçaram, choraram e mataram a saudade, porém Samuel ficou passivo, seu olhar admirava o nada, ainda não tinha assimilado a perda das pernas, pensou que o exercito poderia lhe arrumar duas próteses, mas ninguém ligava para isto, ainda mais para um afrodescente.

Depois da chegada, havia se passado trinta dias, Dona Rute e Samuel se deram muito bem, ao contrario da expectativa de ambos, eles se tratavam como mãe e filho, ela o levava para as sessões de fisioterapia e com este empenho de Dona Rute; Samuel já conseguia fazer várias coisas, sozinho.

Devido à forte fisioterapia, seus braços se fortaleceram, conseguia se locomover sozinho na cadeira de rodas; começou a participar de uma oficina de dança, onde ele somente com os braços fazia os passos de hip-hop.

A família estava feliz, e num sábado à noite, Fabiano diz: “Vou buscar umas pizzas!”, e saí para ali, perto de casa, desceu do carro e foi abordado por um pivete que sacou uma arma e anunciou o assalto, pedindo-lhe a carteira.

Fabiano, sem reagir, lhe entregou a carteira, o pivete vasculhou-a em busca de dinheiro e encontrou o documento que identificava Fabiano, como soldado do exercito, o pivete, sob efeito de narcóticos, se assustou, e disparou à arma, o tiro é certeiro no coração de Fabiano que cai morto, sem chances de reagir e o pivete some pelas ruas.

Dona Rute entra em desespero, porém não há mais nada a se fazer, a não ser enterrar o corpo, onde todas as honrarias militares foram dadas.

É a ironia da vida, um sujeito passa dois anos num país em guerra, consegue sair ileso e morre na esquina de casa, num país notoriamente pacifico, este foi o pensamento de Samuel, não há diferenças entre Haiti e Brasil.

Samuel se aproximou de Dona Rute para consolá-la e ela em voz de choro lhe pergunta:

-E agora o que eu farei da vida?

-Vamos permanecer juntos... – Respondeu Samuel após um breve silencio. – Eu não sou teu filho de sangue, mas neste um mês, nós não olhamos nada, superamos preconceitos, orgulhos e desconfianças e criamos um amor de filho e mãe, vou cuidar de você.

- Mas filho...

-Não se preocupe, nós não estamos sozinhos!

E eles se abraçaram e choraram para aplacar a dor da perda, e assim eles viveram felizes, apesar de todas as marcas que a vida havia causado, mas o amor é o remédio para estas marcas, a guerra destrói por motivos irracionais, o amor constrói, também, por motivos irracionais, porém os motivos são totalmente antagônicos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Nova Comunidade no Orkut

Bom amigos, criei uma comunidade no Orkut, a respeito do assunto que escrevi abaixo, a comunidade se chama "Temas para se inspirar"; quem tiver afim de participar o link está abaixo, se vocês puderem ir passando para seus amigos, eu agradeço:

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=97280244&refresh=1

Inspiração


Este post hoje será dirigido aos pretensos escritores.

A escrita é algo que se exercita e quanto mais você escrever, melhores teus textos vão ficando, porém esbarramos num problema sério: - Falta de inspiração.

Na verdade falta temas para escrevermos, procurei algum lugar na Net, onde tivesse temas para desenvolvermos e para minha surpresa não existe.

Aliás, achei apenas um lugar, mas o site não é atualizado desde janeiro de 2008, porém em sites de língua inglesa, achei vários, inclusive achei cursos on-line de escrita gratuitos.

Aí demonstra bem a diferença entre os EUA e o Brasil, lá eles levam a literatura a sério, como se realmente fosse uma profissão e não como uma catarse da alma como a maioria dos pretensos escritores brasileiros a tratam.

Como não existe nada parecido no Brasil, pretendo fazê-lo aqui, vamos lançar motes(temas) e os escritores desenvolvem seus temas encima.

A idéia é ser um exercício, o gênero fica a critério do autor, pode ser uma poesia, um conto, uma novela e por que não até um romance, e se quiser pode publicá-lo aqui, no teu próprio blog ou guardá-lo na gaveta.

Vou dar em exemplo do que eu vi:
“Soldado volta da guerra do golfo e trás consigo um amigo que perdeu as duas pernas e pede para sua mãe cuidar dele, nesta relação mãe e estranho, pode eclodir uma série de emoções de amor, ódio e preconceito.”

Amanhã eu publicarei o que eu fiz encima deste mote.

E ai, Vamos fazer?

O que vocês acham da idéia?

Alias, amanhã será a última publicação do ano, depois, somente semana que vem, vou entrar de férias e não vou levar o computador junto, ficarei enclausurado na natureza para renovar as energias.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O Mirante


Ele estava triste por causa dela, e quando se sentia assim ia para o mirante. Naquele fim de tarde, a vida passava como um repente, e de cima ele observava a cidade agitada, a cidade que não se preocupava com ninguém.

Então ele saltou do mirante e conforme caía, de suas costas surgiram asas, e voava por cima de todos, mas ninguém notava sua presença.

Voou até a casa daquela que havia lhe decepcionado, mas a indiferença dela era tão grande que simplesmente ela não o notou.

Decepcionado, olhou para o céu, e havia um anjo que acenava e o chamava, começou a segui-lo, indo cada vez mais longe, ficando cada vez mais livre do mundo indiferença...

No dia seguinte no jornal popular, deu na manchete:

“Jovem se suicida do mirante!”

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

UNIÃO (HARMONIA UNIVERSAL)



Houve um tempo, mas muito tempo atrás.
Eu vi uma coisa chamada intolerância.
Que marcou meu coração naquele dia.
Que mudou completamente nossas vidas.

Sacerdotes separaram aquele amor.
Por eu não acreditar no mesmo Deus.
Por eu não ser irmão digno dos seus.
Só para causar, sem razão, uma dor.

Houve um tempo eu desci uma ladeira.
Com cartazes pedindo a todos uma união.
Para que se conseguisse alguma compaixão.
Mas fiquei desolado preso numa trincheira.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal

Uma coisa que eu gostava muito quando criança era do Natal; não era por causa dos presentes, mas naquela inocência de criança que eu tinha, eu tinha um profundo respeito pela pessoa por quem comemorávamos o nascimento, ou seja, Jesus Cristo.

Passaram-se os anos e percebi que nada mais era uma data de comercialismo, bebedeiras e glutonarias desenfreadas, mas neste ano estou com o mesmo clima de muitos e muitos anos atrás.

E o motivo é muito simples, a minha filha está chegando e ela mudou muito o meu modo de ver a vida, só quem é pai é que sabe do que estou falando, coisas banais, passam a ter grandes valores.

Eu queria desejar aos amigos, parceiros e visitantes um excelente natal, e queria dizer se caso você tenha alguma rusga com alguém, hoje é um perfeito dia para se fazer as pazes, não importa quem errou.

A vida é curta, eu mesmo, se viver outro tempo de vida que já vivi, vou estar com 68 anos, então vamos fazer as pazes, pra mais tarde não nos arrependermos, é um gesto simples, mas que fará toda a diferença na nossa vida.

Uma vez mais um Bom Natal!

PS.: Eu pedi para o Papai-Noel muita alegria para nossos corações.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Arqueólogo recria roteiro das bebidas alcoólicas desde a Antiguidade

Fonte: Folha on-line
colaboração para a New Scientist


Perguntas e indagações talvez não sejam tão atraentes quanto beber. Mas, enquanto para a maioria das pessoas a busca termina no bar mais próximo, o arqueólogo biomolecular Patrick McGovern foi muito mais longe.

Ele passou décadas viajando o mundo e voltando no tempo, raspando crostas sujas de antigas caldeiras, recuperando líquidos de frascos lacrados e extraindo resíduos dos poros de vasos pré-históricos --tudo em nome da investigação das origens ancestrais da bebida alcoólica.

Mais do que a raiz de todo mal, o álcool é a raiz de tudo o que nos torna humanos: arte, música, religião e outros aspectos culturais

Depos de ele ter encontrado o vinho mais antigo do mundo --um vinho resinado, encontrado em duas jarras da aldeia neolítica de Hajji Firuz, no Irã, em 2004, ele encontrou uma amostra ainda mais antiga na China.

Às margens do rio Amarelo, em um sítio arqueológico denominado Jiahu (cuja idade é datada em por volta de 9.000 anos), ele recolheu uma amostra de uma bebida alcoólica quente, composta a partir de arroz, fruta de espinheiro, uvas e mel.

Outras das suas recentes revelações são que as pessoas da América Central ficavam bêbadas a partir de chocolate fermentado --o que dá uma nova acepção à palavra "chocólatra".

A investigação de McGovern é detalhada em um livro fascinante, que deixa poucas dúvidas de que os humanos são bebedores por nascimento, mais apegados às bebidas do que o Homo sapiens. Desde os tempos primevos, povos de todo o mundo sentiram a necessidade de beber álcool, e se aplicaram a encontrar formas de produzir quantidades prodigiosas dele.

No período neolítico, habitantes de diferentes continentes usavam a mesma técnica: a domesticação dos cereais. Os primeiros fazendeiros, argumenta McGovern, cultivaram cereais para fermentação, em vez de alimentos. A cerveja, ao que parece, veio antes do pão.

Mais do que a raiz de todo mal, o álcool é a raiz de tudo o que nos torna humanos: arte, música, religião e outros aspectos da nossa cultura --tudo tem seu início no período de farras alcoólicas, o Paleolítico. Essa é a teoria --e McGovern encontrou uma abundância de evidências para sustentá-la.

Você pode estar se perguntando qual era o gosto dessas bebidas antigas. Nesse momento, as crostas antigas e resíduos não ajudaram muito.

Para responder a esta pergunta, McGovern teve de inovar. Com a ajuda de amigos na indústria cervejeira, ele recriou um drinque frígio, uma cerveja de chocolate alcoólico e Chateau Jiahu --a bebida mais antiga de todas. Dois em cada três não foram ruins.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Bananal do Cemitério




Numa tarde calma de verão, Rubão que era homem mulato e forte, caminhava tranquilamente pela orla da praia, observando toda a natureza ao redor e as ondas do mar levemente quebrando-se na areia.

A certa altura do calçadão, resolveu entrar na praia, caminhou mais um pouco e encontrou enterrado na areia um amuleto, assim que o limpou, ele ficou intrigado, era um amuleto de basalto no formato de uma mão aberta com os dedos separados.

Foi para debaixo de um coqueiro para ficar debaixo de uma sombra, pois o Sol estava muito quente, ele virou o amuleto de todos os jeitos tentando decifrar a utilidade daquele objeto, julgou que se tratava de alguma proteção e levou-o consigo para casa, arrumou uma corrente e o deixou guardado em cima da estante.

Na alta madrugada, o amuleto brilha e uma pequeníssima entidade esverdeada de aparência humana e olhos puxados emerge, ele voa até Rubão dentro de redemoinho e o observa atentamente e sua áurea transmitia uma força de grande ódio e assim ficou, até o dia clarear e se desmaterializou no amuleto.

Rubão acordou indisposto, mas foi para a rua trabalhar, colocou o amuleto no pescoço e seguiu seu caminho, porém na metade da caminhada sentiu uma grande vertigem e sentou-se na calçada, os transeuntes que passavam tentavam ajudá-lo, sem conseguir nada, após mais alguns instantes ele foi levado para o hospital.

Chegando ao hospital, os médicos não sabiam o que ele tinha, parecia um morto-vivo, não respondia a nenhum estimulo e ficou em estado catatônico, uma vez ou outros seus olhos se mexiam, causando grande preocupação a todos.

Quando a noite caiu, próximo da meia noite, um homem alto sisudo de capa preta e rosto coberto se esgueirava pelos corredores do hospital, até chegar ao quarto onde Rubão estava, vasculhou as gavetas e achou o amuleto, falou algumas coisas numa língua estranha e Rubão se levantou da cama e disse em voz de zumbi:

-Sim mestre!

Ele vez um aceno com mão e eles partiram do hospital, rodaram pela cidade inteira até chegar ao cemitério, já passava da meia noite, nos fundos do cemitério havia um bananal muito sinistro, onde uma névoa espessa o cobria; ninguém tinha coragem de ficar ali, nem de dia e nem de noite, as pessoas tinham sensações estranhas e para lá eles partiram.

O homem sisudo começou a investigar as bananeiras, pois procurava alguma coisa e encontrou numa delas uma faca encravada, retirou-a e nela estava escrito:

“Mais uma plantação para o meu pomar”

Aquele homem estranho bateu palmas e Rubão saiu do transe, assustado e desorientado, olhou para as bananeiras e nelas faces de homens horrorizados enraizados, as bananeiras gemiam, eram pedidos de socorro e clemência que ecoava pelo ar, sentiu um grande medo no coração e tentou correr, mas suas pernas estavam presas no chão.

Após observar mais atentamente, percebeu que suas pernas haviam se transformado em um tronco de bananeira, olhou para o homem encapuzado, que pegou o amuleto e colocou na palma da mão e novamente surgiu a entidade esverdeada que disse em voz super estridente:

-Eu sou o duende das bananeiras, você foi escolhido para fazer parte do meu jardim, pois você tem um segredo guardado!”

Rubão que tinha 40 anos lembrou-se que na sua mocidade havia feito algo degradante, havia estuprado uma moça na época em que vivia na boemia dos bares e havia escondido o corpo daquela jovem num rio ali próximo e ninguém havia descoberto o crime.

Rubão ficou com a face horrorizada, não houve tempo de pedir clemência, foi lentamente se transformando numa bananeira, a base de gritos o processo levou quase duas horas, após o ocorrido, a entidade voltou para o amuleto e aquele homem encapuzado sumiu pela eira da noite.

No dia seguinte o velho guarda Pedro estava mostrando o cemitério para o jovem guarda João Paulo e passaram pelo bananal e o jovem disse com um arrepio na espinha:

-Nossa essas bananeiras tem um aspecto estranho, parecem homens gritando! – Parecia que dava para ouvir os gemidos.

-É meu filho. – Respondeu o velho, apertando o passo. –Ninguém se atreve a tirar essas bananeiras daqui e te aconselho a não ficar andando por aqui.

O jovem concordou e já era fim do seu turno, se arrumou e ao sair do cemitério encontrou um amuleto de basalto no formato de uma mão aberta, ficou intrigado com aquilo e o levou para casa...

domingo, 20 de dezembro de 2009

INTERNET, PIRATARIA E DIVULGAÇÃO

Tem-se falado que as editoras, produtoras, estúdios de músicas não dão oportunidade para os jovens talentos; e que tudo que se vê e se ouve é baba comercial.

Porém como dá credibilidade a industrias que estão com os dias contados?

A tecnólogia da internet chegou e chegou pra ficar. Isso é mal? Em minha opinião, não!



Pois com a Internet muitas pessoas conseguem mostrar seus trabalhos, sem restrições, essas indústrias definem moda, conceitos e tendências, que na maioria das vezes é errado.

Existem umas linhas de pensamentos bastante interessantes para o nosso tempo, entre elas estão:

Cory Doctorow, jornalista, escritor e blogueiro, baseia todos os seus textos pela Creative Commons e ele diz que se alguém quiser piratear algo, esse alguém vai fazê-lo de alguma forma e ainda crê que todos os textos da Internet devem ser compartilhados.

JJ Abrams o criador de Lost, Fringe e produtor de Jornada nas Estrelas, baseia todo seu trabalho em livros, jogos, fóruns de internet, com isso ele cria uma legião de fãs que compram tudo que estas franquias produzem.

Em resumo, tudo que você precisa para conseguir um lugar ao Sol, é uma convergência de mídias, onde o fã possa interagir, ninguém pode pensar em ficar rico, mas é possível fazer sucesso, claro uma coisa é indispensável:

O Talento

Eu andei interagindo nalgumas comunidades do orkut sobre novos escritores, deu a nitída certeza que muitos reclamam, porém não se movem, não fazem nada e só ficam choramingando e criticando até mesmo os próprios colegas de comunidade.

Chega a dar nojo, alguns reclamando do Paulo Coelho e da Zibia Gasparetto, que vendem muito e dizem que tem pouco conteúdo, isso pode ser verdade, mas me soa mais como:

"Eu sou melhor, eu é que deveria vender milhões, Por que não investem em mim?"

Sabe amigos, eu estou pensando seriamente, em escrever para o povo simples, com linguajar simples, escrever pra estas pessoas ditas "intelectuais", só serve pra ter aborrecimento e a carreira de escritor não vai decolar.

Misturei dois assuntos; mas são coisas para meus amigos escritores iniciantes pensarem...

Bom domingo!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Um bom dia para se refrescar no lago central

Mais um conto de um autor convidado trata-se do meu parceiro Fernando Fesant dono do blog http://orudemagnetismo.blogspot.com/ ,onde ele publica outros contos e crônicas, a especialidade dele é o mistério, abaixo está um dos contos que eu mais gostei.




A nave pousou em Marte. Havia um dedinho do Brasil na obra. Um dedão do pé, eu diria. Oito anos depois desde o primeiro astronauta no espaço, foram gastos quase 70 milhões da moeda nacional para fazer a segunda viajar. Dinheiro que poderia ter sido investido, por exemplo, no combate a epidemia de dengue que atingiu metade do Brasil entre os anos de 2008 e 2011. Cerca de 1,5 milhões de pessoas morreram naquela época e o governo gastando dinheiro com a viagem mais cara do mundo.


Um resfriado do titular do vôo fez com que o astronauta brasileiro tivesse o privilégio de ser o primeiro latino e o segundo homem a por os pés em solo marciano. Jesus era um acontecimento incrível para a televisão. Patrocinadores, artistas, políticos, muita gente ganhou dinheiro em cima do fato. As pessoas na terra estavam tão excitadas com aquilo que desde a apresentação dos Beatles nos Estados Unidos em 1964, não se via uma redução de crime tão grande lá.

No Brasil não havia sido diferente. Foi decretado feriado nacional. As pessoas grudaram os olhos na TV para ver o astronauta brasileiro. A criminalidade foi reduzida a casos isolados. A porta do módulo se abriu. A expectativa era grande, o primeiro astronauta a sair foi o coronel americano Robert Smith como era de se esperar. Ele parecia procurar alguma coisa no horizonte. Esperou a escada se abrir e então ele começou a descer. Uma câmera instalada na altura do capacete levava as imagens para Terra. Passo a passo a expectativa era maior. Eu estava no bar. Sempre ele. Curtia uma cerveja a droga legal mais desmoralizadora da face da Terra, de repente de Marte também. Alguém havia apostado qual dos pés tocaria primeiro o solo. Apostei no esquerdo. Acabei perdendo. Alguns loucos ensaiaram uns gritinhos tolos.

- É o segundo maior passo da Humanidade – disse o astronauta americano tentando parafrasear outro colega seu.

Segundos depois surgiu o brasileiro. O coronel Alexandre Karl da Força Aérea. Houve um grande alvoroço no bar. Os caras começaram a gritar, bater palmas, mexer nas cadeiras e dar socos nas mesas, não nessa ordem exatamente. Tomei outro gole da cerveja. Estava quente. Houve mais uma aposta dos pés da qual eu não quis apostar.

O brasileiro começou a descer e a cada passo que ele dava o pessoal fazia uma espécie de contagem regressiva. A imagem tremia um pouco dando a medida de seu nervosismo. Naquele mesmo instante morriam mais de trezentas mil pessoas de fome no mundo inteiro e agente fazendo festa por uma viagem que os cofres públicos pagaram milhões. Nós éramos os espertos. De pé em pé o brasileiro foi descendo os degraus e quando botou os pés no chão a festa foi completa.



Andar em Marte não era como andar na Lua. Não tinha aquele papo de pulinhos, os astronautas caminhavam como nós aqui na Terra. Tinha um lance de gravidade que eu tinha lido em alguma daquelas revistas semanais falando das roupas deles que eram feitas especialmente para a atmosfera de marte. Funcionavam bem, os caras pareciam estar andando na Avenida Paulista.

Robert Smith fincou no solo de Marte a bandeira das Nações Unidas, depois a dos Estados Unidos e em fim a do Brasil. Estava feito. Depois montou uma câmera num tripé para que ela pudesse captar de um outro ângulo o passeio dos astronautas.

A missão em Marte era simples: iriam resgatar a sonda Secchi que havia sido lançada onze meses antes e tentar recuperar as imagens que ela havia registrado da superfície do planeta próximo à região de Elysium. Descobriu-se água em forma líquida ali. Seria feita uma coleta do material que depois seria levado para o módulo e transportado para a nave Enterprise II na órbita do planeta.

Depois que a câmera foi ligada, as imagens chegaram a Terra. Ela deu um giro de 180º graus e registrando o imenso nada; depois ela girou 60º graus e capitou as imagens dos dois astronautas indo em direção ao grande lago que havia sido descoberto.

A possibilidade de encontrar vida em Marte aumentava a cada passo que era dado pelos dois astronautas. Era imprescindível, no entanto, encontrar a Sonda Secchi primeiro. Os cálculos precisavam que ela estaria a pelo menos uns dois quilômetros de onde o módulo havia pousado com uma chance de erro de dez por cento. Caminharam por uns dez ou vinte minutos para descobrirem que os cálculos estavam bem errados.

O astronauta brasileiro foi quem viu primeiro o objeto. Partes dele próximo às margens do lago.

- Ali. – disse ele num inglês impecável.

Ambos se dirigiram em direção dos destroços do objeto. Havia parte dele por todos os lados.

- Está destruída. Não vamos conseguir recuperar absolutamente nada. – disse Smith.

- O que será que aconteceu? – perguntou o brasileiro.

- Não sei. Mas ela não explodiu. Com certeza

O brasileiro olhou em volta. A imagem que ele via era a mesma que víamos na Terra: nada. Um imenso nada deprimente de rocha avermelhada. A imagem cortou para a câmera no tripé. Ela mostrava a imagem dos dois astronautas. O brasileiro um pouco mais afastado da margem; o americano estranhamente bem mais próximo do lago meio encurvado. Saquei logo de cara que ele havia visto alguma coisa na água. O gênio que manipulava as imagens da câmera não. Torci em vão que a imagem fosse cortada para a câmera do capacete do americano. O brasileiro se afastou mais do americano e se abaixou. A imagem foi cortada para o seu capacete. Deduzi que o nosso governo pagou um pouco mais para ter muitas imagens capitadas do nosso astronauta enquanto a cena quente estava acontecendo do outro lado. Idiotas. Não entendiam nada de cinema?

O brasileiro segurava mais pedaços da sonda que ele havia encontrado . Ótimo, milhões gastos para ficarmos assistindo metal retorcido na televisão. De repente o brasileiro olhou para trás e não viu o americano. Viu sim, uma movimentação na água. O americano estava se afogando e a galera do bar estava num alvoroço danado.

As imagens foram cortadas para a câmera do tripé. Tentáculos surgiram e deixaram o americano suspenso no ar como um boneco. Os braços e pernas balançavam como pedaços de borracha. Desesperado, o astronauta brasileiro parecia não saber o que fazer. Pegou um pedaço de rocha marciano, se aproximou da margem e jogou na coisa na tentativa desesperada de tentar fazê-la soltar Smith. Não surtiu efeito. Smith continuava balançando no espaço para cima e para baixo. Ele jogou outro pedaço de rocha e um tentáculo prendeu sua perna esquerda e começou a arrastá-lo em direção ao lago. O Cel. Alexandre conseguiu se agarrar a uma rocha, mas a coisa era forte demais para ele. Os dois astronautas ficaram suspensos no ar por um tempo e depois desapareceram dentro do lago puxados pela criatura.

Houve um grande silêncio no bar. Tomei um gole da cerveja quente, paguei a bebida e saí me dirigindo para o norte da cidade. Estava um calor dos diabos. Parei num cruzamento. O bonequinho estava vermelho e as ruas vazias. Atravessei o sinal vermelho. Do outro lado da calçada eu parei e olhei para o céu. Havia algumas nuvens e pássaros indo em direção ao estuário. Estava um bom dia para se refrescar no lago central. Tomei a direção sul e fui para lá.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Fantasmas da África


Num certo local da África, meu velho amigo Smith, fazia um trabalho de retirar as minas que flagelavam dez pessoas ao dia.

Mas naquela noite tudo corria bem, estava longe da capital e naquela região não havia nada no entorno, apenas arvores retorcidas que lembravam soldados mortos com faces de horrores.

Montaram o acampamento, o céu estava estupendamente estrelado e sem lua, após assarem a comida, deitaram, pois no dia seguinte tomariam viagem para uma região mais remota.

Próximo da meia-noite um barulho de marcha tomou conta da savana, Smith e seus companheiros pegaram em armas e tomaram posição, pois pensavam que eram os rebeldes que estavam se aproximando.

Ao longe se percebia as silhuetas escuras e num repente, aquelas silhuetas começaram a gritar e começaram a correr na direção deles e quando se aproximaram da fogueira, mostrou-se a face daqueles homens.

Eram faces distorcidas, sem braços, sem pernas, sem olhos, faltando pedaços de carnes e fardas rasgadas, uns mostravam a língua suja de sangue.

Os companheiros de Smith saíram correndo sem direção, mas Smith ficou parado, pois ficou paralisado de medo, então aquela horda o atravessou como uma névoa, seguindo os homens que haviam fugido, com exceção de apenas um dos fantasmas que parou a sua frente e disse em voz ecoante:

-Limpe as minas! Ache os corpos!

E o atravessou, assim como atravessaram o acampamento, Smith olhou para o lado e não havia nem fantasmas e nem os companheiros, sendo assim ficou acordado esperando o dia amanhecer, vigilante.

Nos primeiros raios de Sol, meu amigo Smith, rodeou a área do acampamento e encontrou todos os seus companheiros mutilados, alguns haviam desaparecidos.

Tirou o seu chapéu e voltou para a cidade e disse que os rebeldes haviam atacado, pois ninguém acreditaria na sua história.

Ele conseguiu limpar toda aquela região das minas, porém jamais achou os corpos daqueles soldados africanos que continuam a assombrar as savanas africanas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Fim do Mundo!



Pânico instalado.
O céu se fechou.
Olho estalado.
Poluição me machucou.
Rosto marcado.
Esperança se acabou.

Trovoadas a matar.
Natureza em fúria.
Calor ácido no ar.
Hoje é o grande dia.
De tudo se acabar.
Inicio da era sombria.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O FIM DOS OCEÂNOS



Sou albatroz que viaja o mundo
Nos tempos antigos, o mar era azul.
E eu era o rei dos mares do sul.
Hoje o plâncton está moribundo.
A morte tem encontro marcado.
O vil petróleo nos envenena.
Vem do norte esta força externa.
E não temos controle sobre ela.
Os homens imundos bebem dela.
Atenção homens, o mar não é eterno.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Não existe aquecimento Global!

Amigos, parceiros e visitantes, eu gostaria muito que vocês lessem esta reportagem abaixo, muita coisa vai ser esclarecida e por favor comentem, é importante a opinião de todos.

Fonte: Uol ciências

"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul

Por Carlos Madeiro
Especial para o UOL Ciência e Saúde


Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.

Segundo Luiz Carlos Molion, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.

UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Semana da Ecologia



A semana que passou falou-se muito em ecologia, como temos que preservar a natureza e blá, blá, blá...

Antes eu desconfiava, mas agora eu tenho certeza, é tudo falácia, o planeta não está aquecendo por causa do homem.

Calma! Eu explico por que!

Simplesmente porque as grande potencias mundiais, não querem que os emergentes cresçam, nenhum país sério dá importância a isso, basta ver a China e os EUA, na verdade, somente o Brasil e nosso glorioso Lula é que se importam.

O que o homem lança na atmosfera do planeta, não é nem 2% de toda poluição produzida no mundo, o resto vem de vulcões, queimadas e outras coisas naturais.

Essa semana vou postar algumas reportagens, com cientistas feras do ramo de meio-ambiente, e vocês vão se surpreender, como existe besteira sendo falada.

A única justificativa para preservar a natureza é a preservação dos animais selvagens, isto sim, é bastante louvável.

Na boa gente, se você gosta tanto da natureza, por que não faz o seguinte:

-Todos os dias das 20h00minh e 21h00minh desligue a energia elétrica para preservar a natureza.

Claro que você não vai fazer isso!

Por que as pessoas que não tem acesso a energia elétrica e outras modernidades não podem tê-las?

Por que a modernidade e o progresso não podem chegar a Amazônia, Vale do Jequitinhonha ou o Sertão Nordestino?

Minha opinião: Isso só serve para criar ONGs que vão roubar o nosso dinheiro, verifique o Greenpeace, quantos eles arrecadam de dinheiro e o que eles fazem de efetivo ou útil em prol do meio-ambiente?

Fora outras do tipo:
Dos Indios, do Macaco-Prego, da Mata-Âtlantica e por ai vai...
Quem fiscaliza estas ONGs?

E mais; é um controle das grandes potências para com os emergentes.

Ninguém tá interessado na ecológia!

O homem tem que explorar o espaço e criar novas colônias; é assim que conseguiremos perpetuar a espécie.

David Bowie - Parte 5 - Ashes to Ashes




Olá amigos e amigas, vamos a 5ª e ultima parte do David Bowie!

Depois de 1973, Bowie, aposenta Stardust que volta para o "espaço nebuloso e o Major Tom, continuou desaparecido e o glam rock acabou.

Entre 1974 e 1980 é a fase experimental de Bowie, são discos cabeça. até que nos anos 80 ele virar o pop star mundial, com vários hits de sucesso, porém em 1982 ou 1983 (num me lembro bem o ano), ele recebe uma carta de Stardust que estava curtindo sua aposentadoria nalgum ponto da galáxia, então surgiu a música Ashes to Ashes (Cinzas para Cinzas), pois por mais que Bowie curtisse a fase de pop star, as histórias de fantasia e sci-fi da época do glam rock, estava enraizado nele e uma vez ou outra, Stardust manda alguma notícia.

Consegui atingir meu objetivo que era agariar mais fãs para o Bowie, começou devagar, mas conforme foi passando as semanas foi atingido o objetivo.

Pretendo fazer este mesmo formato com outros cantores, então aguardem...

Do you remember a guy that's been
In such an early song
I heard a rumour from Ground Control
Oh no, don't say it's true
They got a message from the action man
"I'm happy, hope you're happy too
I've loved all I needed to love"
Sordid details following
The shreiking of nothing is killing
Just pictures of Jap girls in synthesis and I
ain't got no money and I ain't got no hair
But I'm hoping to kick...
but the planet is growing
CHORUS
Ashes to Ashes, funk to funky
We know Major Tom's a junkie
Strung out on heaven's high
Hitting an all-time low
.
Time and again I tell myself
I'll stay clean tonight
But the little green wheels are following me
Oh no, not again
I'm stuck with a valuable friend
"I'm happy, hope you're happy too"
One flash of light...but no smoking pistol
I've never done good things
I've never done bad things
I've never done anything out of the blue,oh-o-oh
Want an axe to break the ice
Want to come down right now
CHORUS
REPEAT
My mother said to get things done
You better not mess with Major Tom
Você se lembra de um cara que esteve
numa canção bastante antiga
Eu ouvi um rumor do Controle Supremo.
Oh não, não diga que é verdade
Eles têm uma mensagem do homem ação
"eu estou feliz e espero que você também esteja
eu amei tudo o que podia"
detalhes sórdidos a seguir
os gritos para o nada os vão matando
Apenas figuras de garotas japasem síntese e eu
não tenho dinheiro e não tenho cabelo
mas estou esperando para chutar ...
mas o planeta está evoluindo
REFRÃO
das cinzas para cinzas é engraçado e divertido
nos sabemos que o Major Tom é um viciado
Estendido no alto do paraíso
Atingindo a maior decadência da história
.
Novamente eu digo para mim mesmo
eu vou ficar sóbrio esta noite
As pequenas rodas verdes estão me perseguindo
oh não, não de novo
eu estou preso aqui com um amigo valioso
"eu estou feliz e espero que você também esteja"
com uma lanterna mas nenhuma pistola.
eu nunca fiz coisas boas
eu nunca fiz coisas más
eu nunca fiz nada de supetão. woh-o-oh
quero um machado para quebrar o gelo
quero cair da maneira certa desta vez
REFRÃO
REPETIÇÃO
minha mãe disse para fazer coisas do jeito certo
É melhor não brincar com o Major Tom.




sábado, 12 de dezembro de 2009

Prêmio Relíquia da Internet


Oras com muita satisfação que este blog recebeu o selo "Prêmio Relíquia da Internet", dado pelo meu amigo Luiz Ramos do blog Caçador de Mistérios (http://cacadordemisterio.blogspot.com/)

Além de ganhar o selo, eu tenho direiro a passar para mais 5 blogs, abaixo estão os que eu escolhi, foi difícil a escolha, levei em consideração os amigos que mais comentam e participam das parcerias.

Os 5 escolhidos podem escolher outros 5 blogs para passar o selo a frente, aqui estão as regras:

As regras do Prêmio Relíquia da Internet :


1- Exibir a imagem do "Prêmio Relíquia da Internet" que acabou de ganhar em qualquer área do seu blog ou site (coloque em área fixa como a barra lateral);
2- Publicar uma postagem informando que ganhou o selo e o link do blog que lhe indicou;
3- Na mesma postagem, publicar as Regras do Prêmio e indicar 5 blogs de sua preferência que merecem receber o prêmio;
4- Avisar seus indicados com e-mail ou comentário, enviando a eles o código do selo e o endereço de seu blog ou site;
5-Conferir se os blogs indicados por você repassaram o selo e as regras.
 
Os indicados são:
 
O Mundo das Poesias
Divagações Solitárias
Blog da Cris
Os 4 elementos
Revista do Pacheco

A passageira de Caronte

É com muita satisfação que apresento meu amigo George Pacheco, o qual eu conheci no Recanto das Letras, ele escreve vários tipos de contos, mas os contos polciais é sua especialidade.
Para conhecer mais sobre o Pacheco visite sua revista http://www.revistapacheco.blogspot.com/ e lá você conhecera mais sobre ele.

Esta previsto para fevereiro/2010 o lançamento do livro O Fantasma do Mare Dei pela editora multifoco para saber do que se trata o livro acesse http://ofantasmadomaredei.blogspot.com/search/label/Sobre%20o%20livro.

Sem mais delongas, vamos ao conto do meu amigo George Pacheco




Enfim, cinco horas da tarde. Quanto esperou por isso! O trabalho era cansativo em uma metalúrgica. Agora, todos saíam felizes, ansiosos para estarem com as suas famílias e descansarem. Norton não. Ele nem era casado. Já afirmar se ele tinha filhos ou não, aí já é outra história.

Ele era almoxarife. Ganhava bem, mas seu sonho era ter um negócio próprio, um mercado talvez. Trocou o uniforme, pôs bastante perfume. Qualquer um que o visse per-ceberia que estava apaixonado. Seus olhos brilhavam. Caminhou por entre seus colegas sem conversar, pois estava com pressa. Ia encontrar-se com sua namorada, em seu traba-lho. Tudo começara há uns seis meses atrás, quando foi lá a primeira vez, com uns amigos. Havia ido só para se divertir, mas os olhos de Paloma, parecendo perdidos, distantes, o hipnotizaram. E depois, tem a bebida e todo aquele clima libidinoso, tudo conspirando. Apaixonou-se à primeira noite. Subiram para o quarto, mas Norton não era como os ou-tros. Amaram-se, mas ele tratava-a com um carinho que Ana nunca havia experimentado. Esse era seu nome verdadeiro, foi o que ela revelou a ele na noite seguinte.

– Seu tempo acabou... – disse ela levantando-se da cama. Norton estava deitado, nu, fumando um cigarro, com as mãos cruzadas por trás da cabeça.

– Fique mais um pouco... – disse ele.

– Tempo é dinheiro meu bem. – disse ela com a voz gutural.

– Eu pago pelo seu tempo.

Ela olhou-o por algum tempo em silêncio e deitou-se ao seu lado. O almoxarife deu um tapinha em seu peito, chamando-a para deitar a cabeça ali, o que ela relutantemen-te aceitou.

– Não vai me querer outra vez? – perguntou ela estupefata.

– Não. Quero apenas ficar aqui conversando um pouco. – disse ele apagando o ci-garro no cinzeiro que havia ao lado.

– O meu trabalho não é esse. Vá procurar uma psicóloga. – disse ela tentando se levantar.

– Fique aqui queridinha. Por que a pressa? – disse ele segurando-a.

– Eu vim foi para trabalhar, não foi para ficar conversando com você.

– Eu já disse que vou te pagar! Há quanto tempo está nessa vida?

– E por que quer saber? – perguntou ela desconfiada.

– Por nada! Apenas quero saber... – disse ele acariciando seu braço que estava so-bre sua barriga.

- Deve ter uns dois anos.

– Dois anos? E quanto anos você tem mocinha? – disse ele. Sua pergunta não era sem sentido. Paloma era extremamente jovem, tinha um rostinho angelical e um corpo pequeno e esguio, embora fosse cheio de volúpia.

– Mas o que é isso? Você é polícia? – perguntou ela levantando a cabeça do peito dele.

– Mas você é desconfiada mesmo, hein? Estou só conversando com você!

– Eu... eu tenho vinte anos. Na verdade, vou fazer vinte anos ainda.

– Começou cedo, hein? Por quê? – disse ele coçando seu cavanhaque.

– Ora, por que... Eu sei lá por que! Minha família passava algumas dificuldades, lá na roça. Meu pai bebia e batia em mim e em minha mãe, quase todos os dias. Por que eu ia ficar ali? Decidi fugir assim que fosse possível. Fugi e acabei vindo para cá.

– Seu nome não é Paloma... – especulou ele.

– Por que está fazendo tantas perguntas?

– Ora, gostei de você mocinha. Você é uma graça! – disse ele segurando o queixo dela e se aproximando para beijá-la.

– Epa! Beijos não estão incluídos no pacote, então, por favor, não me beije. – disse ela levantando-se da cama e pondo as peças de roupa. Os beijos eram uma lenda entre as mulheres da vida. Pelo menos Paloma parecia não gostar de beijos. Diziam que isso era medo de se apaixonar. Norton não pensou duas vezes. Levantou e correu ao encontro dela, abraçando-a fortemente e beijando-a, à revelia. Paloma acabou aceitando e beijando-o também.

– Então, qual é o seu nome? – perguntou ele abraçado a ela ainda.

– Não devia ter me beijado... – disse ela se esquivando, terminando de colocar suas roupas, que não eram muitas.

– Ora, mas você também queria! Não vai me dizer seu nome? – disse ele com um largo sorriso.

– Chega de perguntas! – disse ela num sorriso enigmático ao abrir a porta, ficando com ela entreaberta. – Se quiser saber, venha aqui amanhã e pague pelo meu tempo... - disse ela jogando um beijo com as mãos.

Então ela também havia gostado do beijo... Isso para Norton tinha sido maravilho-so. Desceu do quarto e voltou para a mesa com seus amigos. Sorria como ninguém.

– Demorou à beça, hein cara? – disse Leon, que estava com uma moça sobre o co-lo. – E então?

– Talvez um pouco, mas vejo que ficou em boa companhia! – disse tomando a be-bida de um copo que já estava na mesa. Olhou ao redor para ver se encontrava Paloma, mas não a viu. Decidiu fazer como ela havia pedido. Voltaria amanhã para saber seu no-me.

Voltou no dia seguinte, no outro, no outro também e em quase todos os dias duran-te esses seis meses. De tanto ir ali encontrar-se com Paloma, que a essa altura ele chamava apenas de Ana, ou Aninha, ela já não lhe cobrava mais os programas. Estavam apaixona-dos. Apesar disso, ele não se importava com seu trabalho. Queria apenas ela para si, fosse como fosse. A desejava ardentemente, como a nenhuma outra mulher...

Todos já sabiam de seu namoro e isso acabou virando motivo de pilhéria entre seus amigos. Como assim, namorar uma prostituta? Isso não faz sentido. Existem muitas moças de bem, de família, por aí. Por que justamente uma mulher da zona? Elas só existem para a diversão... Norton, você é um tolo!

Ele nem se importava, mas achou que podia melhorar a situação. Precisava apenas tirar a mulher dessa vida. Ninguém faria mais troça com ele, e ela se tornaria uma mulher de respeito e ninguém poderia falar nada. Não demorou a propor isso.

– Como assim casar?

– Você vem comigo, eu lhe dou uma casa e uma vida digna. Não vai mais precisar ficar pela madrugada, deitando-se com esses caras nojentos... – disse ele nervoso, fumando um cigarro após o outro.

– Não se esqueça que foi assim que eu lhe conheci...

– Não, não me esqueço. Mas agora quero casar com você, ter filhos. Não quer ter filhos?

– Sim, é claro que quero! Mas não entende, você me pegou de surpresa...

– Quer um tempo para pensar? Eu lhe dou um tempo para pensar...

Estava ansioso pela resposta de Ana. Saiu do trabalho, todo perfumado e foi procu-rá-la na boate. Ficou por ali bebendo como sempre, esperou uma folga de Aninha e subiu para o quarto com ela. Beberam um vinho barato, fumaram e se amaram. Depois do êxta-se, deitaram-se um ao lado do outro, e ficaram a conversar sobre coisas comuns.

– Então? Pensou sobre minha proposta? – disse ele entre uma tragada e outra.

– Você vai ficar me perguntando por isso a toda hora? Assim que eu tiver uma res-posta lhe direi, não se preocupe... Mais tarde conversamos no hotel... – disse ela vestindo-se.

Norton desceu e ficou conversando com o rapaz que servia as bebidas, assistindo a um show de strip-tease. Tinha gente de todos os tipos ali. Homens, mulheres, caminhonei-ros, marinheiros... Buscavam um pouco de diversão, um amor que não tinham sem pagar por ele. Estavam felizes, bebendo, se amando, aplaudindo, dando gargalhadas. Era uma orquestra triste de sons e luzes...

O movimento foi ficando cada vez mais fraco, até que lá pelas três da manhã, havia umas poucas pessoas. O almoxarife aguardou que sua noiva trocasse de roupa e saíram de mãos dadas. Foram para o hotel Afrodite, que ficava próximo à boate. Era lá que a moça passava o resto de suas noites, geralmente acompanhada de Norton. Pela manhã ia para um curso que fazia. Ana também não queria ficar no cabaré para sempre. Cumprimenta-ram o senhor da portaria e foram para sua quitinete. Norton sentia uma leve tontura. Tal-vez tivesse bebido além da conta.

Tomaram um banho juntos, como sempre, deitaram-se e amaram-se mais uma vez, como sempre. O pequeno apartamento ficava à altura dos postes, o que o deixava às claras mesmo com suas luzes apagadas.

O almoxarife adormeceu sem saber a que horas. Parecia entorpecido por uma coisa qualquer. Lembrava-se apenas do rosto de sua amada a beijar-lhe e do sabor do vinho em sua boca. Acordou com o sol ofuscando seus olhos e sentindo um frio intenso. Parecia que a cama estava completamente molhada. Olhou para o lado e encontrou Ana deitada sobre uma enorme poça de sangue, que vinha até ele. Seu corpo também estava todo molhado, por isso sentia tanto frio. A mulher tinha os olhos abertos, fixos, sem brilho algum. Sua garganta estava cortada de um lado a outro. Entre eles dois havia uma faca que, assustado, Norton pegou.

– Não é possível! Não é possível! – disse ele com lágrimas nos olhos, sentado à cama, olhando para a mulher morta. Teve medo, e atirou a faca para um canto qualquer do quarto. Levantou-se de súbito e ficou andando de um lado para outro. Isso não podia ter acontecido à sua Ana! Foi até a cabeceira da cama, pegou a garrafa de vinho, e um dos copos. Cheirou-os. Apenas cheiro de vinho, como era de se esperar. Assustou-se com bati-das fortes na porta.

– É a polícia! Saia daí com as mãos para cima! – disseram do outro lado da porta.

O que Norton faria agora? Não tinha tido tempo nem de se limpar daquele sangue. Foi até a janela da frente. Tinha umas duas viaturas lá embaixo. Os policiais estavam na porta. Não podia deixar que o vissem assim. Não foi ele quem fez isso, mas não sabia co-mo alguém poderia ter feito.

Pôs rapidamente sua roupa. Os policiais gritavam mais e mais e ameaçavam derru-bar a porta. Foi até a janela de trás. Não havia ninguém no beco para onde a janela dava. Era sua única saída. Levantou-a tentando fazer o mínimo de barulho possível. Cerca de um metro e meio abaixo da janela havia um parapeito onde ele podia se esgueirar até o cano da calha de chuva, o qual ele poderia usar como escada. Tinha que ser rápido, os policiais logo arrombariam a porta e encontrariam as marcas de sangue na janela. Desceu, mas a uns dois metros do chão o cano cedeu e ele caiu. Com certeza ouviram o som de sua que-da, afinal, lá de baixo pôde ouvir o momento em que os policiais entraram na quitinete.

Correu o mais rápido que podia, tinha que se esconder. Precisava descobrir quem tinha cometido aquela barbaridade. Ou era ela quem iria pagar o pato. Mas afinal, quem poderia ter matado Ana?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conspiração Coca-Cola


Naqueles dias de calor intenso, todo liquido que se bebe o corpo agradece, Osvaldo, típico paulistano de terno e gravata, próximo do meio-dia, não recusa uma coca-cola.

Depois daquele dia quente, Osvaldo amanheceu com uma indisposição estomacal, acreditando que era devido ao excesso de coca-cola que tomava, resolveu não tomar mais o refrigerante.

Após uma semana, sentiu-se bem parecia que o calor não estava tão forte assim, mas o que mais lhe estranhava é que as pessoas a sua volta não diziam coisa com coisa.

Era assuntos vazios; como o que havia acontecido na novela, quem estava ganhando um programa de reality show combinado, quem estava liderando o campeonato de futebol e a violência da cidade.

Ninguém comentava sobre algum avanço da ciência, uma criança que havia nascido com saúde, uma honestidade que alguém havia feito; apenas noticias que davam medo e consumo é que ganhavam notoriedades.

Osvaldo começou a refletir sobre aquilo e percebeu que até ele nunca havia questionado, mas aquilo não saía de sua cabeça:

Por que as coisas são desse jeito?

Então saiu para mais um almoço e pediu uma coca-cola, ao olhar o redor, percebeu que todos tomavam o dito refrigerante, lhe venho um pensamento a mente, mas sorriu e disse:

“Não, isso não é possível!”, mas não teve coragem de beber.

Saiu pelas ruas e viu que as pessoas na rua também tomavam o refrigerante e aquele pensamento anterior tomava conta de sua mente, resolveu pesquisar sobre o assunto.

A noite, após muitas pesquisas pela Internet, encontrou um site que revelava a verdadeira natureza da coca-cola e leu o seguinte:


“A coca-cola é composta de ácido fosfórico, não de folhas de coca como muitos pensam. O ácido fosfórico é usado em fertilizantes, na produção de sal, refrigerantes, chocolates e remédios, assim os Illuminatis, donos dos meios de comunicação e do mundo, conseguem impor um controle mental sobre a população mundial, encobrindo seus planos malignos de dominação mundial reptiliana.”

Osvaldo ficou desesperado e saiu pelas ruas à noite, havia ficado uma semana sem tomar coca-cola, apesar de ainda estar consumindo o ácido fosfórico nos outros alimentos, era uma dose muito menor, o suficiente para ele ter controle próprio.
Começou a falar com seus amigos, mas não lhe deram crédito, voltou para casa, pensava em mandar um e-mail aos criadores do site que havia lhe revelado a verdade, mas ao acessá-lo estava fora do ar, aumentando mais ainda a cisma e o medo.

Mas ele estava propenso a dar um fim naquela loucura e foi até a delegacia, após discutir com os policiais que ameaçaram prendê-lo, Osvaldo, começou a andar lentamente pelas ruas e sentou-se na pracinha perto de sua casa e começou a duvidar de sua sanidade.

Ainda a pensar um carro preto popular com vidros fume totalmente escuro pára; um dos vidros se abre e um homem diz:

-Ei amigo! Eu sou o dono do site que você acessou. Você deve vir conosco, pois os Illuminatis estão atrás de nós.

-E como você sabe que fui eu que acessei o site? – Perguntou Osvaldo, desconfiado.

- Porque eu localizo quem acessa o site pelo IP do seu computador, o IP é outra forma de controle populacional, venha logo, nós não temos tempo...

Osvaldo estava confuso, mas resolveu ir com aqueles homens, pois estava com muito medo.

Havia três homens no carro, dois à frente e um atrás, sendo que o homem que estava atrás era muito forte, então Osvaldo perguntou:

-Para aonde iremos?

O homem que estava no banco do passageiro, virou-se para trás e disse:

-Para uma viagem longa e sem volta!

Mal deu tempo de Osvaldo reagir, o homem forte lhe segurou fortemente e lhe pôs um lenço com sonífero que o fez tombar desmaiado.

Havia se passado muitas horas, Osvaldo foi acordando lentamente, estava amarrado numa maca de hospital, os olhos estavam pesados, a vista embaçada, mas aos poucos foi tudo clareando, antes não pudesse ver o que estava acontecendo, um pavor tomou conta do seu corpo e mente.

Reptilianos estavam a sua volta, estavam mexendo em seu cérebro que estava aberto, a dor era intensa a ponto de ele desmaiar de novo...

                                                                                                            ooo

Passado algumas semanas, já era hora do almoço, Osvaldo chegou ao restaurante e após pegar sua refeição pediu uma coca-cola, seus amigos chegaram e fizeram o mesmo e começaram a conversar descontraidamente, o assunto era sempre os mesmos:

“O que havia acontecido na novela, quem estava ganhando um programa de reality show combinado, quem estava liderando o campeonato de futebol e a violência da cidade.”

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vaca Radioativa


O silêncio do inicio da tarde.
Abre a ferida escondida que arde.
Bizarramente eu não quero lembrar.
Das mágoas que ficam no meu pensar.

Um lugar se afunda em radioatividade.
Os sobreviventes procuram outra cidade.
Surge uma vaca radiativa coberta de folhas.
Seguindo aqueles que vão além das colinas.

Ela espera o momento certo.
Num instante mais que incerto.
Para se mostrar, não como uma aberração.
E sim como uma nova criação.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O LADRÃO DE ALMAS


Ele colocou a mão nas águas de um rio caudaloso e de lá tirou um diamante misterioso que refletia a face daquele homem, pálida e espantada.

Resolveu leva-lo consigo para analisá-lo melhor no dia seguinte, pois a noite já tomava conta do vale.
Ele dormia num celeiro cheio de palhas, e após juntar algumas palhas para formar um travesseiro, guardou o diamante num dos bolsos e dormiu, a principio um sono agitado e depois um sono profundo.

Pela madrugada acordou estupefato, pois o diamante brilhava intensamente, ele estava com muito medo, jogou o diamante para longe, tentava tampar os olhos, mais o brilho acabou por devorá-lo e sua imagem ficou presa dentro do diamante.

Após um longo silêncio, um pouco antes do amanhecer, o diamante, como se tivesse vida e foi rolando ao sabor do vento, até chegar à beira do rio, onde se jogou, pois aguardava outra pessoa, para roubar-lhe a alma, pois sua beleza vinha de roubar as almas dos desventurados que o encontrasse.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vida de Blogueiro X Escritor


Faz um mês que eu tornei este blog público e o que posso dizer é que vida de blogueiro é uma intensidade que eu nunca vi antes, te leva da euforia a depressão e vice-versa na maior rapidez.

Fico pensando o que escrever, onde arrumar parceiros e onde arrumar leitores, no final, todo o tempo livre que tenho é consumido pelo blog e por isso, deixo de fazer a coisa mais importante que é escrever.

Por isso estou à procura de parceiros que queiram escrever contos neste espaço, pode ser resenhas, pensamentos, poesias, reportagens, mas tem que ter haver com o univervo fantástico (ficção científica, mistério, suspense, terror, conspiração, casos insólitos e etc), e também procuro pessoas para ajudar a divulgar este tipo de literatura.

Eu já sabia que isso ia acontecer, conforme escrevi a uns dias atrás, a priori, escolhi o dia de sábado para tais publicações

Pois a idéia do blog é publicar alguma coisa todos os dias e isso consome muito tempo, sábado agora já terá a estréia de um amigo que conheci no recanto das letras, é bem possível que eu amplie para dois ou três dias as publicações dos outros autores.

O objetivo final é a publicação de uma revista eletrônica para ser distribuída pela internet, assim fazemos o marketing pessoal de cada autor.

Até pra escolher os autores e contos é difícil, primeiro eu tenho que realmente gostar do que ele escreve e segundo ele tem que querer publicar aqui, isso requer pesquisa, um pouco de conversa e paciência.

Para os amigos terem uma idéia de cada cinco pessoas que eu convido, apenas uma topa fazer o projeto, e muitas vezes, esta pessoa que topa, simplesmente some, parece que foi abduzidas!

Como eu tinha escrito anteriormente, ano que vem vou me engajar num processo de profissionalização como escritor, no momento não posso dar muitos detalhes, mais por superstição mesmo e medo de olho gordo, por isso estou procurando fazer isso em segredo, conforme for avançando eu darei mais detalhes, mas uma coisa é certa: Ou vai ou racha!

Se não der certo, poderei ficar tranqüilo, fiz o melhor que pude, mas se der certo, é mais um sonho concretizado.

Minha filha também nascerá em fevereiro, e é lógico vou dar toda minha atenção e carinho para a Luana.

Escrevi tudo isso apenas para dizer duas coisa:

Quem estiver afim de publicar e me ajudar a divulgar a literatura fantástica é só me procurar!

barbosapaes@uol.com.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Vida que vem do espaço



Numa noite de verão sem nuvens, extremamente estrelado, Luana estava sentada no jardim de sua casa, onde as flores exalavam seus perfumes, adornadas por vaga-lumes.

Luana sempre sonhadora imaginava se havia vida em outros planetas e se existissem:

Como seriam esses seres?

Em meio ao seu pensar, uma estrela cadente corta o céu, ela observa atentamente, porém o risco rápido que costumadamente uma estrela cadente faz, se prolongou e uma pequenina pedra azulada caiu por entre os lírios vermelhos.

Não contendo sua curiosidade, lentamente agitou as folhas, encontrando a pequenina pedra azulada e a levou para seu quarto.

Pegou uma lupa para poder observar melhor e percebeu que havia a face de alguém impregnada, mas não estava nítida, pois mesmo com a ampliação da lupa, ainda ficava difícil a identificação, ainda a pensar, subitamente um rápido feixe de luz multicolorida raiou e um holograma se formou com um ser meio reptiliano de cor verde-claro e grandes olhos negros que disse:

“Saudações a qualquer um que encontrar este projetor!

Devo dizer que assim que você possuir este projetor é sinal que meu povo foi extinto, pois vivíamos em guerra, por não aceitar as nossas diferenças raciais e religiosas, então desenvolvemos armas químicas e biológicas de destruição em massa, que por fim, acabaram por nos destruir.

Neste pequeno projetor há o nosso DNA, se você puder recriar nossa raça noutro mundo, ficaremos eternamente gratos, para retirar o nosso DNA, basta partir este projetor.

Saudações cordiais!”

Luana ficou impressionada com aquilo e ficou compadecida com a história dos homens lagartos, mas pensou que se ela entregasse a pedrinha para algum cientista aquele DNA, jamais aquele povo voltaria a viver, pois eles irão fazer experiências macabras, então teve uma idéia incrível.

Assim que o dia amanheceu, foi para a beira de um lago, cortou a pequenina pedra ao meio e a jogou no lago, pois pensou:

“Os elementos básicos da vida vieram do espaço, misturada com a água e a luz do Sol, tudo que é vida hoje, surgiu!”

Na certeza de que tinha feito a coisa certa, Luana, partiu feliz, na esperança que dali alguns milhões de anos, aquela raça pudesse habitar o planeta Terra, pois a história humana partia para o mesmo destino dos homens lagartos e quem sabe numa segunda chance, os homens lagartos, cuidariam melhor do planeta.

É assim que o espaço sideral recicla a vida, ora com humanos, ora com homens lagartos e ora com outros tipos de seres, pois o grande arquiteto do universo, sempre encontra um jeito de manter a vida viva e ávida!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Contos de Verão 2009



Olá a todos amigos, parceiros e visitantes!

E com alegria que venho comunicar a inclusão de mais um conto meu numa antologia, trata-se do livro Contos de Verão 2009 da Editora Br Livros ou Câmera dos Jovens Escritores.

O nome do conto é “Tilapolândia”; é um misto de fantasia, suspense e terror.

Sinceramente não pensei que ele seria escolhido, pois a história é um tanto doída, conta a história de um pescador que visita o reino das tilápias, mas elas escondem um segredo.

Quem quiser adquirir essa antologia é só clicar no link abaixo, mais para frente eu disponibilizo este conto aqui no blog.

Namaste!

http://www.camarabrasileira.com/p2a.htm

Onde estão todos?

Fonte: Dr. Cássio Leandro Barbosa (*) Especial para o CIÊNCIAONLINE



Na década de 50, durante um almoço nos laboratórios de pesquisa em Los Alamos, o físico Enrico Fermi resolveu encerrar uma discussão a respeito da existência de vida extraterrena com esta pergunta. Durante este almoço, as conversas giravam em torno da probabilidade de haver vida inteligente fora da Terra.
Caso uma estrela a cada milhão em nossa galáxia pudesse desenvolver vida, deveria haver 100.000 civilizações diferentes na Via Láctea. Se ao menos uma delas tivesse a capacidade de fazer viagens interestelares a uma velocidade de apenas 1% da velocidade da luz, levando aproximadamente 5.000 anos para estabelecer uma colônia, esta civilização levaria em torno de 100 milhões de anos para colonizar a Galáxia inteira!
Apesar de parecer muito tempo, 100 milhões de anos é um tempo irrisório para a idade da galáxia (em torno de 10 bilhões de anos) e bem curto para o surgimento e desenvolvimento de uma civilização avançada, estima-se que o primeiro primata na Terra tenha surgido há 60 milhões de anos.

Desta maneira já deveríamos ter tido algum contacto com alguma civilização e a falta de qualquer evidência neste sentido fez com que Fermi questionasse o otimismo das estimativas acima.

A pergunta de Fermi é bem simples e por não ter nenhuma resposta imediata, acabou se tornando um paradoxo. Suas possíveis respostas podem não ser tão simples e suas conseqüências podem ser estarrecedoras. A seguir, veremos algumas destas respostas e implicações, mas uma análise mais profunda de cada possibilidade está além do propósito deste texto.

A primeira possibilidade é a mais simples: estamos sozinhos. Não há ninguém além de nós na Galáxia. Esta também é a resposta menos interessante, em última instância colocaria nossa civilização numa posição única e remontaríamos aos tempos anteriores a Copérnico, quando nos considerávamos o centro do Universo. O que há de tão especial em nosso sistema para que apenas na Terra surgisse vida e esta estivesse se desenvolvendo para conquistar as estrelas? Alternativamente, o surgimento da vida poderia ser um evento tão raro e difícil que seríamos os primeiros a surgir e caberia a nossa civilização iniciar a colonização da Via Láctea em algum momento.


A segunda possibilidade admite que civilizações são um tanto comum, mas ninguém ainda colonizou a Galáxia. Neste caso poderia haver três motivos para que a Galáxia permaneça ainda inexplorada:
a) Dificuldades tecnológicas: consideramos anteriormente que uma civilização tenha alcançado um nível de desenvolvimento em que consiga viajar pelas estrelas a uma velocidade de 1% da velocidade da luz, ou 3.000 km/s.
Isto parece viável com motores movidos a explosões nucleares controladas, ou mesmo usando o vento de estrelas para impulsionar as naves. Entretanto, estas podem ser possibilidades caras. Em outras palavras, viagens interestelares podem ser mais difíceis e podem consumir muito mais energia do que o imaginado hoje.

b) Considerações sociológicas: as civilizações existem, se desenvolveram, mas preferem não se espalhar. O desejo de colonizar outros mundos é uma idiossincrasia humana. Esta parece ser uma hipótese tão fraca, quanto aquela que diz que somos únicos. O que teríamos de tão especial para nos tornar tão ávidos por viagens colonizadoras? É bastante improvável que apenas uma civilização, entre as 100.000 estimadas, tenha vontade de explorar a Galáxia. Uma consideração importante a se fazer é que o tempo para colonizar a Galáxia é da ordem de 100 milhões de anos. Não seria improvável que após uma expansão inicial, uma civilização tenha decidido estagnar. Quanto maior um império, mais difícil é sua administração. Algumas colônias poderiam decidir por se afastar da linha original de expansão e interromper as viagens, simplesmente por adotar uma cultura diferente.

c) Auto destruição: o desenvolvimento tecnológico atingido por um povo poderia ser usado para sobrepujar outro povo em seu planeta original e esta disputa levaria a aniquilação total desta civilização. Da mesma maneira que explosões nucleares poderiam levar uma espaçonave a velocidades incríveis, poderiam também exterminar uma civilização inteira antes que ela conseguisse se lançar em direção a outras estrelas. Há de se considerar que auto destruição também pode ser conseguida por meios naturais. O crescimento desenfreado da população leva a uma exaustão de recursos de tal maneira que uma civilização, por mais avançada que seja, não conseguiria se sustentar. Isto para não mencionar os problemas ambientais trazidos pelo próprio desenvolvimento tecnológico, tal como o processo de industrialização dos meios de produção. Vale lembrar que a nossa civilização encontra-se num ponto crítico, tanto do ponto de vista beligerante, quanto de crescimento vegetativo: a persistirem os níveis de crescimento atuais, em 2150 a população na Terra atingiria 40 bilhões de pessoas e não haveria mais espaço físico no planeta para acomodar mais uma pessoa sequer.

Finalmente, a última possibilidade diz que existe uma civilização galáctica, mas que ela deliberadamente tem nos evitado por dois motivos. No primeiro caso por que não somos interessantes para um povo muitíssimo mais avançado. Entretanto, este povo viaja pelas estrelas e mantém colônias na Galáxia.


Este é o caso científico do projeto SETI, procurar por evidências de comunicação entre as colônias de uma civilização avançada assim. O fato de ainda não termos detectado nenhum sinal é reflexo apenas do pequeno número de estrelas estudadas. No segundo caso, as civilizações avançadas deliberadamente nos deixam ao sabor de nosso próprio destino. Os fãs de Jornada nas Estrelas vão se lembrar da 1a Diretriz da Federação que preconiza a não interferência em outros povos. Esta discriminação é chamada por vezes de “refúgio para vida selvagem”.

Neste caso, seria possível esperar que uma civilização mais avançada se apresentasse apenas no momento em que avaliasse ser mais propício.


Podemos ver que o Paradoxo de Fermi envolve muito mais que uma simples pergunta. Os possíveis cenários para sua solução alimentam nossa imaginação, mas também mostram que o silêncio intergaláctico pode ter uma origem mais aterradora do que imaginamos.

(*) Cássio Leandro D.R. Barbosa é físico formado pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Ciências Espaciais pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e doutor em Astronomia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP). Atualmente desenvolve projeto de pós-doutoramento no IAG-USP voltado ao estudo dos mecanismos de formação de estrelas de alta massa. Suas áreas de interesse são instrumentação, estrutura da Galáxia, formação estelar e mais recentemente, procura por vida extraterrena.
 
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