Recados e Novidades

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Para troca de livros:

Projeto Palavras Cruzadas:

"Já é vender a alma não saber contentá-la." Albert Camus - O Mito de Sísifo.

O projeto 'Palavras Cruzadas' promove encontros mensais (segundo sábado de cada mês) em que são lidos e discutidos trechos de obras importantes da literatura e filosofia surgidas à partir do século XX.

No encontro do dia 13/07 o livro utilizado será 'O Mito de Sísifo' de Albert Camus.

O evento começa às 15h30min.

A coordenação é de Vanessa Molnar, historiadora (USP) e escritora e Fábio Donaire, estudante do Bacharelado em Ciências e Humanidades (UFABC). Estamos localizados na Rua Professor José Franco, 166 – Bangu (a 10min da UFABC de Santo André, na rua do restaurante Frangasso).

A entrada é franca.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Roberto Piva


                Eu gosto muito de Manoel Bandeira e Carlos Drummond, mas eles são tão clássicos que a poesia deles parece ser de outro tempo. (Será que é de Parságada?)
                Houve um movimento muito forte na poesia dos anos sessenta que se alastra até os dias de hoje, porém não reconhecido pelos acadêmicos, justamente por serem demasiadamente viscerais. Cá entre nós, o mundo não é visceral?
                Ferreira Gullar com o seu concretismo leva a fama do poeta do real. Porém quero apresentar um poeta marginal. Claudio Willer disse: Ele é uma sombra que anda pela cidade. Seu nome é Roberto Piva.
                Piva mistura xamanismo, alucinógenos, homossexualidade e non sense, inspirado por Rimbaud, Nietzsche, Cidade de São Paulo e cultura africana e nesse balaio todo cria uma poesia surreal (Tipo o que há de verdade no cotidiano).
                Não há como ter uma relação indiferente a esse poeta: ou se ama ou se odeia. Não publicou muitas obras, mas as que ele publicou causaram um barulho incomodo na sociedade brasileira e mundial, mais do que falar, gostaria de mostrar um poema:

Poema XIV", de 20 Poemas com Brócoli

vou moer teu cérebro. vou retalhar tuas

         coxas imberbes & brancas.

         vou dilapidar a riqueza de tua

         adolescência. vou queimar teus

         olhos com ferro em brasa.

          vou incinerar teu coração de carne &

                            de tuas cinzas vou fabricar a

                            substância enlouquecida das

                            cartas de amor."

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fórmula Poema Dadaista

Receita para um poema dadaísta:
(Tristan Tzara)

Pegue um jornal.

Pegue a tesoura.

... Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.

Recorte o artigo.

Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Tire em seguida cada pedaço um após o outro.

Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.

O poema se parecerá com você.

E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

Crítico, questionou a arte e ampliou seu olhar para a crítica dos modelos culturais vigentes. Ousado, permitiu que a experimentação entrasse em cena em plena guerra. Inspirou muito do que veio depois: o Surrealismo, o Expressionismo Abstrato e a Pop Art, em especial.Ver mais

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Você viu?


– Você assistiu o Bom Dia Brasil hoje?

– Você viu que em Goiás, depois de cem anos, dobrou-se a média pluviométrica?
– Você sabe que o sertão vai virar mar?

– Você viu as encostas desmoronarem e ceifando vidas?
– Você sabia que o peido das vacas de Mato Grosso destrói a camada de ozônio?

– Você sabia que em São Paulo as pessoas preferem o transporte individual ao público?
– No Rio de Janeiro o culpado das pessoas morarem nos morros e das próprias pessoas, o governador não tem nada com isso...

- Você viu que prenderam um índio no Pará porque ele matou uma tartaruga para dar de comer para sua família? Que índio mal!
– Agora tiraram as sacolinhas plásticas e tudo ficará bem! Mas por que será que o preço do arroz e do feijão teima em não baixar?

– Você viu que fizeram várias Ongs em defesa da ecologia? Mas, lá em Engenheiro Marsilac nem escola tem!  Você não sabe onde fica Engenheiro Marsilac? Nem o prefeito de São Paulo sabe.
– Você viu quais empresas estão patrocinando a Eco-Rio 2012? São tão boazinhas, preocupadas com o bem estar da humanidade.

– Você viu a Miriam Leitão anunciando o apocalipse?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Arpilleras Latinas



                Guerrilheiros se incorporaram ao tecido simples vindo dos Andes e vivem seus sonhos comunistas, sob a batuta utópica de Mao Tse Tung. As vozes se perderam no deserto do Atacama, no frio da Patagônia e na mata do Araguaia. Ninguém poderá devolver o brilho da juventude que lutou contra o verdugo que tinha só em mente o gozar de suas mesquinharias. Os meninos foram calados e as mães choraram.

Mas o colorido do bordado ainda grita por justiça desde os anos setenta. Onde será que andam os fantasmas chilenos, argentinos, uruguaios e brasileiros? Enquanto houver as arpilleras a terra reclamará seus mortos.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O Deus de Spinoza

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se fostecomportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. 
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti." 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tronco Molecular

Sentado no tronco lúdico.
observo o céu púrpuro de saudades abrasivas
onde formigas tagarelam canções selvagens
ao ritmo de tambores nigerianos
em flechadas venenosas de ilusão.

A face loira enlaça-me em seus braços
rompendo a membrana do universo
onde os mortos insistem em não encarnar
e um coro de cigarras prostitutas  e grilos mascarados
ressoam por toda a floresta enlouquecida.

Aquele cântaro de água cálida e sombria
inunda a percepção dos vagabundos
onde forma um buraco negro
quando elétrons e prótons são constituídos
solto um choro-grito estridente:

 Ah vida!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dicas de Marcelino Freire

Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.
www.marcelinofreire.wordpress.com
 
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