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Projeto Palavras Cruzadas:

"Já é vender a alma não saber contentá-la." Albert Camus - O Mito de Sísifo.

O projeto 'Palavras Cruzadas' promove encontros mensais (segundo sábado de cada mês) em que são lidos e discutidos trechos de obras importantes da literatura e filosofia surgidas à partir do século XX.

No encontro do dia 13/07 o livro utilizado será 'O Mito de Sísifo' de Albert Camus.

O evento começa às 15h30min.

A coordenação é de Vanessa Molnar, historiadora (USP) e escritora e Fábio Donaire, estudante do Bacharelado em Ciências e Humanidades (UFABC). Estamos localizados na Rua Professor José Franco, 166 – Bangu (a 10min da UFABC de Santo André, na rua do restaurante Frangasso).

A entrada é franca.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Aprendendo a Ser Vidraça


Olá amigos da blogosfera!

Fiquei um mês longe do blog, porque eu estava participando do 8º desafio dos escritores que ocupou todo o meu tempo livre para as atividades literárias.

Participar desse evento foi algo muito positivo e edificante e me fez refletir em várias coisas da minha vida como homem e do mundo, além de pretenso escritor.

Cultivei novas amizades virtuais com pessoas civilizadas, isso, com certeza, foi o mais importante.

Tivemos grandes quebra-paus, mas confesso que nunca briguei num nível tão alto. 

Nisso eu aprendi a primeira lição:

Nunca mais vou chamar alguém de imbecil.
Colocar adjetivos depreciativos nas pessoas é no mínimo uma imbecilidade.  Ainda mais em pessoas que você não conhece.

Se você não gosta de determinado artista ou daquele cara do Facebook, simplesmente ignore-o.

Se não for possível ignorar, se limite a dizer que não gostou da obra ou comentários e dê os motivos sensatamente, sem mais réplicas e tréplicas. O que passar disso se transforma em preconceito e/ou agressão gratuita. 

Eu participo do fórum da Folha de SP e vejo como as pessoas distribuem comentários depreciativos em coisas que elas nem sabem do que se trata.

Voltarei a escrever sobre isso noutro dia, mas voltando ao desafio...

O desafio foi muito cansativo: Tínhamos que desenvolver um tema diferente por semana, ainda tendo que se preocupar com vários aspectos exigidos nas provocações.

Os jurados não perdoam nada, são extremamente exigentes e não aceitam qualquer deslize.


Não acho que os jurados estão errados, 95% das criticas são corretas.

E muita coisa errada que eu fiz, culminou com a 2ª lição:

Valorizar os autores nacionais, principalmente os clássicos e ler mais.

No desafio, eu comecei a ter um contato maior com os autores nacionais e descobri Carlos Drummond e Lygia Fagundes, até o momento.

Comecei a entender porque os críticos são tão ranzinzas, eu mesmo, se eu conhecesse  melhor  autores clássicos, também seria ranzinza.

Essa aversão aos autores clássicos brasileiros vem lá do ensino fundamental, mas isso é assunto pra outro tópico.

Também aprendi alguns aspectos técnicos, com isso comecei a ler com uma visão mais critica. (O mau-humor dos jurados me contaminou!).

A 3ª lição que apreendi:

“Mostrar” mais a história do que “Contar”.

Quando você “conta” a história, ela fica num ritmo rápido, cansando o leitor. Se você “mostra” a história, ela vai envolver o leitor, fazendo a imaginação trabalhar.

Agora começo a entender porque muita gente ama o Senhor dos Anéis.

Outra coisa que descobri e isso é a 4ª lição:

Aprenda ortografia, meu filho!

Um texto mal pontuado destrói toda uma boa ideia, sofri demais com isso, pelo menos seis pessoas me falaram isso:

"Você tem boas ideias, mas não sabe executá-las."

Sendo que duas dessas seis disseram:

"Você tem talento, mas está muito cru, principalmente na ortografia."

Juntando com a parte ortográfica vem a 5ª lição:

Técnicas Literárias.
O autor precisa ter imaginação, inspiração e essas coisas românticas que envolvem o escritor, mas isso não basta.

As técnicas ajudam na questão da coesão e verossimilhança.

Escrevi um conto que ficaram tantas pontas abertas, que uma das juradas me apontou pelo menos quatro coisas que foram inconclusivas.

Verossimilhança pra quem não sabe quer dizer:

 É o que parece ser verdade, ou se assemelha com a veracidade

Neste mesmo conto, eu tinha uma personagem que estava adormecido por 2000 anos, quando ele acordou, olhou para a televisão e a chamou de uma caixa quadrada. Está certo, afinal ele nunca teve contato com uma televisão.

Esse mesmo personagem, num determinado trecho, eu escrevi que ele queria chamar um trem. Oras como ele vai chamar um trem se ele nunca viu um?

E a lição mais valiosa que eu tive foi:



Aprendendo a ser vidraça.
Essa é a mais difícil de todas as lições.

Quando você está escondido e protegido é fácil tacar pedras nas vidraças dos outros, mas quando você se transforma em vidraça, ninguém vai te perdoar.

Você pode ter todos os argumentos do mundo, ainda assim o fracasso ficará estampado a sua frente.

Agora o que a vidraça pode fazer?

Se estilhaçar e voltar a se esconder ou ficar mais denso e seguir em frente?

Confesso que a primeira opção me pareceu mais conveniente:

Já estou há 3 anos tentando aprender a escrever, só tomando paulada, não encontro oficinas literárias e fico perdendo meu tempo escrevendo pra ninguém.

Melhor eu ficar aqui nas comunidades de literatura, lendo os textos dos colegas e tacando pedras, assim eu não fico pilhado.

E por fim reconhecer que não tenho talento pra coisa e curtir minha casa de campo com minha família e que se foda esse papo de ser escritor.

Penso que se escondendo e dando uma boa desculpa é o jeito mais fácil de resolver qualquer coisa neste mundo, ainda mais quando você não depende disso para nada, entretanto: 

E o seu sonho? Por que não insistir? O que se tem a perder? 

Depois das reflexões do homem de pedra, que se mostrou não tão de pedra assim, decidi continuar. 

Há uma oficina literária que eu descobri a 15 minutos da minha casa, semana que vem vou pra lá fazer minha inscrição e vou continuar na aventura de escrever.

Aonde isso vai me levar?

Não faço à menor ideia!!!!!

3 comentários:

  1. Isso Mesmo Amadeu,

    Tô aprendendo a ser vidraça também.
    Parabéns pelo texto!!!!

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  2. Amadeu,
    Texto muito sincero e extremamente cru. Gostaria de escrever mais do que irei escrever agora. Contudo, vou tentar ser mais direto. Primeiro: pergunte para si mesmo do que importa a opinião dos outros. Quem sabe dizer se você tem talento ou não? Aquele jurado arrogante? Você acha mesmo? Somente você sabe os seus limites.
    Segundo ponto. Literatura não é História. A única verdade que deve existir num conto é a verdade do próprio autor. Sua personagem acordou e lembrou do trem? Excelente. Mostra que na realidade dela existia trem, pois o conto é de um tema de fantasia.
    Terceiro ponto. Mate a ortografia. Conhece James Joyce? Um dos maiores escritores de toda a humanidade. Sua obra prima "Ulisses" é genial. Sabe o que ele faz nesse livro? Mata a ortografia.
    Quarto ponto. J.R.R. Tolkien é um autor medíocre. Lewis Carroll é o mestre da fantasia. Sabe o que diz Carroll? Conte e não mostra a história.
    Pense nisso.
    abraços.

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  3. Oi Amadeu, gostei do texto e do seu blog também!
    Escrevo alguns contos em um blog (http://contosdouniversoparalelo.blogspot.com), e sem querer pedir demais já pedindo, se tiver tempo, você poderia dar uma olhada nos meus contos e me responder se eu tenho futuro como escritor.
    Abç,
    Jason

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