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Para troca de livros:

Projeto Palavras Cruzadas:

"Já é vender a alma não saber contentá-la." Albert Camus - O Mito de Sísifo.

O projeto 'Palavras Cruzadas' promove encontros mensais (segundo sábado de cada mês) em que são lidos e discutidos trechos de obras importantes da literatura e filosofia surgidas à partir do século XX.

No encontro do dia 13/07 o livro utilizado será 'O Mito de Sísifo' de Albert Camus.

O evento começa às 15h30min.

A coordenação é de Vanessa Molnar, historiadora (USP) e escritora e Fábio Donaire, estudante do Bacharelado em Ciências e Humanidades (UFABC). Estamos localizados na Rua Professor José Franco, 166 – Bangu (a 10min da UFABC de Santo André, na rua do restaurante Frangasso).

A entrada é franca.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lapso Temporal

Naqueles anos 90 muita coisa estava se transformando, mas coisa era certa: Os jovens sempre se divertiam e naquela sexta-feira a noite não seria diferente, o tradicional baile dos anos 50 estava mexendo com os brios da juventude.


Segui pela estrada arborizada que levava ao salão da minha pequena cidade, já a caráter: camisa branca, calça preta com suspensórios e muita brilhantina no cabelo, por qualquer motivo que não me lembro fiquei de encontrar meus amigos lá no salão.

A noite estava muito fria, entretanto com o céu estrelado, coisa normal na Serra do Mar e passo a passo ia chegando ao meu destino e já observava alguns Fordinhos, Cadilacs e ate Mercury conversível e outros carros da época e pensei:

- Nossa este baile está bem realista! -Olhei para o relógio e eram 11:11h da noite.

As meninas com saias coloridas e algumas com bolinhas coloridas e cabelos preso a lá rabo-de-cavalo, adentrei ao salão na esperança de encontrar meus amigos e o som de Chubby Berry estava terminando e já se emendava “Chapel of Love” do The Crystal e justamente na frase: “Bells is ringing...” eu olhei para uma moça que estava com uma saia vermelha salpicada de brotoejas brancas de óculos escuros, sorriu timidamente para mim.

Não me fiz de rogado e aproximei-me, após alguma resistência da moça finalmente tivemos uma conversa agradável e a convidei para tomar um refrigerante e fomos para o lado de fora do salão, ela pediu uma soda e eu uma coca, nos sentamos debaixo de um enorme carvalho de frente para a entrada principal do salão:

- Nunca te vi aqui antes, você mora por aqui? – Ela me perguntou.

- Sim eu moro no inicio desta rua, mas eu moro aqui faz muito tempo... Eu não encontrei os meus amigos, será que eles vieram para cá?

- Não sei. – Respondeu Jessica (Este era o seu nome), com seus olhos castanhos brilhantes.

- Que tipo de musica você gosta? – Peguei levemente em sua mão.

- Eu gosto de Litlle Richard, Bill Halley e é claro o maior de todos Elvis Presley.

- Você gosta de música antiga... – Eu disse com um sorriso tímido.

- Antiga! – Ela se surpreendeu. – O que existe de mais novo?

- Nirvana, Pearl Jam e Soundgardner.

- Nunca ouvi falar… Eles tocam country?

- Não... – Eu dei risada. – Ah esquece isso, vamos dançar?

- Você é estranho... – Ela sorriu com o canudinho por entre dentes. – Então vamos dançar...

E assim fomos ao salão e dançamos e namoramos a noite inteira, pelas tantas da madrugada ela foi-se embora num Fordinho 29 com outros amigos e segui meu caminho de volta para a casa, antes de nos separarmos ela me deixou seu endereço que não ficava muito longe dali.

Uma nevoa forte se abateu sobre a estrada e aquele ambiente de anos 50 foi-se despindo conforme eu avançava em meus passos, quando eu já estava relativamente longe a nevoeiro como que por encanto desapareceu e seguia a noite límpida e estrelada.

Vindo da direção contraria estavam meus amigos e um deles me perguntou:

- Você não vai ao baile?

- Já acabou...

- Como assim acabou? Agora são 11:20h da noite e o baile só começa a esquentar, depois da meia-noite.

Confirmei e eram àquelas horas mesmo, fui-me embora para casa e fiquei confuso com tudo aquilo, mas por fim o cansaço me venceu e adormeci.

No dia seguinte tudo parecia normal, vasculhei o bolso da camisa e lá estava o endereço que Jessica me deu. Bom, se o papel está ali quer dizer que a situação que eu vivi era real, só havia uma coisa a fazer: - Ir até o endereço que Jessica me deu.

Fiz praticamente a mesma rota para o baile, passei em frente do salão, apenas aquela bagunça de fim de festa, com garrafas de bebidas modernas, aquele ar de anos 50, simplesmente havia desaparecido.

Andei mais um quarteirão e finalmente cheguei à casa que estava anotada no papel, apertei a campainha e uma senhora de um pouco mais de 60 anos foi me atender:

- Em que posso ajudar?

- A Senhora conhece a Jessica?

- Se eu conheço... – Riu-se a Senhora. – Sou a própria meu jovem, o que você quer comigo?

- A Senhora esteve num baile ontem à noite, ali no salão da rua de baixo?

- Ah meu filho, já estive muitas vezes naquele salão, mas isso foi nos 50, quando eu era jovem, inclusive eu conheci um rapaz muito parecido com você, nunca mais o vi. Será que você e filho dele?

- Não Senhora... Desculpe incomodá-la.

Me despedi da Senhora e segui a minha vida, com uma pequena alegria, afinal de contas, foi o meu melhor baile de anos 50 que já tive.

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