Recados e Novidades

Meu facebook:
http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn

Para troca de livros:

Projeto Palavras Cruzadas:

"Já é vender a alma não saber contentá-la." Albert Camus - O Mito de Sísifo.

O projeto 'Palavras Cruzadas' promove encontros mensais (segundo sábado de cada mês) em que são lidos e discutidos trechos de obras importantes da literatura e filosofia surgidas à partir do século XX.

No encontro do dia 13/07 o livro utilizado será 'O Mito de Sísifo' de Albert Camus.

O evento começa às 15h30min.

A coordenação é de Vanessa Molnar, historiadora (USP) e escritora e Fábio Donaire, estudante do Bacharelado em Ciências e Humanidades (UFABC). Estamos localizados na Rua Professor José Franco, 166 – Bangu (a 10min da UFABC de Santo André, na rua do restaurante Frangasso).

A entrada é franca.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Onde estão todos?

Fonte: Dr. Cássio Leandro Barbosa (*) Especial para o CIÊNCIAONLINE



Na década de 50, durante um almoço nos laboratórios de pesquisa em Los Alamos, o físico Enrico Fermi resolveu encerrar uma discussão a respeito da existência de vida extraterrena com esta pergunta. Durante este almoço, as conversas giravam em torno da probabilidade de haver vida inteligente fora da Terra.
Caso uma estrela a cada milhão em nossa galáxia pudesse desenvolver vida, deveria haver 100.000 civilizações diferentes na Via Láctea. Se ao menos uma delas tivesse a capacidade de fazer viagens interestelares a uma velocidade de apenas 1% da velocidade da luz, levando aproximadamente 5.000 anos para estabelecer uma colônia, esta civilização levaria em torno de 100 milhões de anos para colonizar a Galáxia inteira!
Apesar de parecer muito tempo, 100 milhões de anos é um tempo irrisório para a idade da galáxia (em torno de 10 bilhões de anos) e bem curto para o surgimento e desenvolvimento de uma civilização avançada, estima-se que o primeiro primata na Terra tenha surgido há 60 milhões de anos.

Desta maneira já deveríamos ter tido algum contacto com alguma civilização e a falta de qualquer evidência neste sentido fez com que Fermi questionasse o otimismo das estimativas acima.

A pergunta de Fermi é bem simples e por não ter nenhuma resposta imediata, acabou se tornando um paradoxo. Suas possíveis respostas podem não ser tão simples e suas conseqüências podem ser estarrecedoras. A seguir, veremos algumas destas respostas e implicações, mas uma análise mais profunda de cada possibilidade está além do propósito deste texto.

A primeira possibilidade é a mais simples: estamos sozinhos. Não há ninguém além de nós na Galáxia. Esta também é a resposta menos interessante, em última instância colocaria nossa civilização numa posição única e remontaríamos aos tempos anteriores a Copérnico, quando nos considerávamos o centro do Universo. O que há de tão especial em nosso sistema para que apenas na Terra surgisse vida e esta estivesse se desenvolvendo para conquistar as estrelas? Alternativamente, o surgimento da vida poderia ser um evento tão raro e difícil que seríamos os primeiros a surgir e caberia a nossa civilização iniciar a colonização da Via Láctea em algum momento.


A segunda possibilidade admite que civilizações são um tanto comum, mas ninguém ainda colonizou a Galáxia. Neste caso poderia haver três motivos para que a Galáxia permaneça ainda inexplorada:
a) Dificuldades tecnológicas: consideramos anteriormente que uma civilização tenha alcançado um nível de desenvolvimento em que consiga viajar pelas estrelas a uma velocidade de 1% da velocidade da luz, ou 3.000 km/s.
Isto parece viável com motores movidos a explosões nucleares controladas, ou mesmo usando o vento de estrelas para impulsionar as naves. Entretanto, estas podem ser possibilidades caras. Em outras palavras, viagens interestelares podem ser mais difíceis e podem consumir muito mais energia do que o imaginado hoje.

b) Considerações sociológicas: as civilizações existem, se desenvolveram, mas preferem não se espalhar. O desejo de colonizar outros mundos é uma idiossincrasia humana. Esta parece ser uma hipótese tão fraca, quanto aquela que diz que somos únicos. O que teríamos de tão especial para nos tornar tão ávidos por viagens colonizadoras? É bastante improvável que apenas uma civilização, entre as 100.000 estimadas, tenha vontade de explorar a Galáxia. Uma consideração importante a se fazer é que o tempo para colonizar a Galáxia é da ordem de 100 milhões de anos. Não seria improvável que após uma expansão inicial, uma civilização tenha decidido estagnar. Quanto maior um império, mais difícil é sua administração. Algumas colônias poderiam decidir por se afastar da linha original de expansão e interromper as viagens, simplesmente por adotar uma cultura diferente.

c) Auto destruição: o desenvolvimento tecnológico atingido por um povo poderia ser usado para sobrepujar outro povo em seu planeta original e esta disputa levaria a aniquilação total desta civilização. Da mesma maneira que explosões nucleares poderiam levar uma espaçonave a velocidades incríveis, poderiam também exterminar uma civilização inteira antes que ela conseguisse se lançar em direção a outras estrelas. Há de se considerar que auto destruição também pode ser conseguida por meios naturais. O crescimento desenfreado da população leva a uma exaustão de recursos de tal maneira que uma civilização, por mais avançada que seja, não conseguiria se sustentar. Isto para não mencionar os problemas ambientais trazidos pelo próprio desenvolvimento tecnológico, tal como o processo de industrialização dos meios de produção. Vale lembrar que a nossa civilização encontra-se num ponto crítico, tanto do ponto de vista beligerante, quanto de crescimento vegetativo: a persistirem os níveis de crescimento atuais, em 2150 a população na Terra atingiria 40 bilhões de pessoas e não haveria mais espaço físico no planeta para acomodar mais uma pessoa sequer.

Finalmente, a última possibilidade diz que existe uma civilização galáctica, mas que ela deliberadamente tem nos evitado por dois motivos. No primeiro caso por que não somos interessantes para um povo muitíssimo mais avançado. Entretanto, este povo viaja pelas estrelas e mantém colônias na Galáxia.


Este é o caso científico do projeto SETI, procurar por evidências de comunicação entre as colônias de uma civilização avançada assim. O fato de ainda não termos detectado nenhum sinal é reflexo apenas do pequeno número de estrelas estudadas. No segundo caso, as civilizações avançadas deliberadamente nos deixam ao sabor de nosso próprio destino. Os fãs de Jornada nas Estrelas vão se lembrar da 1a Diretriz da Federação que preconiza a não interferência em outros povos. Esta discriminação é chamada por vezes de “refúgio para vida selvagem”.

Neste caso, seria possível esperar que uma civilização mais avançada se apresentasse apenas no momento em que avaliasse ser mais propício.


Podemos ver que o Paradoxo de Fermi envolve muito mais que uma simples pergunta. Os possíveis cenários para sua solução alimentam nossa imaginação, mas também mostram que o silêncio intergaláctico pode ter uma origem mais aterradora do que imaginamos.

(*) Cássio Leandro D.R. Barbosa é físico formado pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Ciências Espaciais pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e doutor em Astronomia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP). Atualmente desenvolve projeto de pós-doutoramento no IAG-USP voltado ao estudo dos mecanismos de formação de estrelas de alta massa. Suas áreas de interesse são instrumentação, estrutura da Galáxia, formação estelar e mais recentemente, procura por vida extraterrena.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esse blog usa moderação em menos de 24h seu comentário será exibido, desde que seja relevante.

 
BlogBlogs.Com.Br diHITT - Notícias