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Para troca de livros:

Projeto Palavras Cruzadas:

"Já é vender a alma não saber contentá-la." Albert Camus - O Mito de Sísifo.

O projeto 'Palavras Cruzadas' promove encontros mensais (segundo sábado de cada mês) em que são lidos e discutidos trechos de obras importantes da literatura e filosofia surgidas à partir do século XX.

No encontro do dia 13/07 o livro utilizado será 'O Mito de Sísifo' de Albert Camus.

O evento começa às 15h30min.

A coordenação é de Vanessa Molnar, historiadora (USP) e escritora e Fábio Donaire, estudante do Bacharelado em Ciências e Humanidades (UFABC). Estamos localizados na Rua Professor José Franco, 166 – Bangu (a 10min da UFABC de Santo André, na rua do restaurante Frangasso).

A entrada é franca.


domingo, 8 de novembro de 2009

Sol Negro



De manhã, o astro rei se levanta e observa a cidade ainda dormindo, tão inocente... Ele vai liberando os primeiros brilhos.

Com seu olhar penetrante e profundo, respira fundo e faz as flores se abrirem, e ele esquenta os animais de sangue frio e o seu brilho entra pelas frestas das janelas, despertando lentamente os que dormem.

Num súbito momento ele olha para outra direção e vê um ônibus perto de um canavial, onde pessoas descem sem esperança no olhar.
Mas o que chama a atenção do astro rei, são as crianças sujas com enxadas nas mãos, e ele pensa:
-Como podem os humanos tratar suas crianças assim?

Não querendo ver mais isso ele volta o seu olhar para a cidade e vê grandes nuvens de gás carbônico ofuscando seu olhar, mas ele luta contra a fumaça e consegue ver o que existe por debaixo da fumaça.

Melhor teria sido continuar não vendo, pensou ele, num cruzamento de farol fechado, ele vê crianças fazendo malabarismos em troca de algumas moedas.

Um pouco mais a frente em carroças podres de madeira, outras crianças buscam papelão e latinhas de alumínio, remexendo o lixo, em troca de uns trocados.

Ainda pasmo o astro rei, não contende, vira o seu olhar e dá de cara para o morro cheio de casebres quase podres.

E observando melhor, ele vê crianças brincando no esgoto, sem esperança e sem assistência.

Essas crianças sonham em serem bandidos, quem sabe ter uma arma, ter muito dinheiro, independente se isso vai custar à vida de outros.

O astro rei ainda pensando em tudo que estava acontecendo, virou-se para o centro cidade e viu crianças roubando, para comprar cola, para cheirar. E outras sendo alicerçadas, por homens e mulheres para pedirem esmolas.

A inocência pueril já não existia mais, porque a prostituição infantil estava ali, na frente de todos e ninguém fazia nada.

Mas o astro rei ficou nervoso mesmo quando olhou para o nordeste e ele encontrou o mesmo quadro de prostituição, crianças morrendo de fome, outras tantas desnutridas, cheias de doenças.

Pensou em até parar de brilhar para poder ajudar aquelas crianças, mas não podia, afinal de contas ele nasceu para brilhar, aquecer e é ele que dá inicio à vida, mas também tinha o poder de mudá-la, já tinha feito isso no passado e poderia fazer de novo.

Então ele lembrou que no Brasil, os que decidiam o futuro de todos que viviam ali, ficavam no planalto central, então ele foi até lá para ver o que os políticos estavam fazendo, afinal pensou, ninguém pode ignorar o que eu vejo.

Ao chegar a Brasília, entre as frestas de uma janela, ele viu uma reunião do congresso, onde as pessoas só estavam preocupadas em liberar verbas, para construção de pontes, viadutos e usinas.

Todos brigavam por realizações de negócios que pudessem deixar os empresários mais ricos, ora ao ver isso, o astro rei se indignou. E gritou:

-O que é que vocês estão fazendo? – Agora vocês vão ver quem realmente eu sou!

E naquele instante o astro rei se tornou num Sol Negro e castigava as costas e queimava a cabeça daqueles que o ofenderam, pois ao maltratar as crianças era o mesmo que o maltratar.

Ele queimou todos os canaviais e com suas rajadas magnéticas fez parar todo aparelho de celular e rádio e um grande pânico instalou-se no país.

As pessoas sem entender o que estava acontecendo, pediam aos céus ajudas, mas nada de resposta.

E o Sol Negro continuava sua destruição, como se fosse o paladino da justiça, pessoas morriam, prédios caiam e o caos foi instalado.

Prédios públicos eram incendiados, muitas pessoas morriam, até que um religioso de bom coração gritou ao Sol Negro:

-Por que de tanta revolta?

-Vocês maltratam tanto as crianças, que resolvi destruir tudo e não há nada que possa me fazer mudar de idéia! – Respondeu raivoso o Sol Negro.
-Eu te peço uma ultima vez. – Quase que implorando o religioso. -Falarei com os líderes da minha terra e vamos mudar essa situação das crianças.

O Sol Negro concordou e disse que ia esperar uma hora, para julgar se a proposta era satisfatória.

Nisso o religioso foi ter com os políticos e eles conversaram quase que uma hora.

Todos concordaram em fazer um programa social, no qual incluíam as crianças o dia todo na escola, com alimentação e educação de alto nível, mas para isso teriam que abrir mão da corrupção e do toma-lá-dá-cá que os politicos faziam.

Então o religioso conversou com o Sol Negro que concordou com aquela idéia, mas alertou que dali em diante estaria observando melhor a ação dos homens e voltou a ser o Sol, ou simplesmente o astro rei.

E a partir desse dia todas as crianças foram para a escola, eles cresceram, e se formou uma civilização muito bonita que depois de alguns milênios, eles foram chamados de filhos do Sol.

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